Com quase 120 anos de história na imprensa brasileira, o Jornal do Brasil decidiu encerrar as atividades de sua edição imprensa e continuar apenas com a versão online. Segundo divulgado pelo Portal Imprensa, Nelson Tanure, proprietário do grupo que administra o JB, decidiu que a última edição impressa do jornal circulará em 31 de agosto. No dia 1 de setembro, será totalmente digital.
Segundo Tanure, que também deu entrevista para outro jornal carioca, O Globo, afirmou que se trata de uma tendência mundial e que “provavalmente, seremos o primeiro jornal a estar apenas na internet”, declarou o empresário. O jornal atualmente acumula dívidas de R$ 100 milhões e mantando um ritmo cada vez menos de circulação. Antes de tomar a decisão, o JB realizou uma consulta aos leitores sobre o futuro do jornal por meio do próprio site do jornal. O Jornal do Brasil foi o primeiro a ter uma edição online no País.
O dono do Jornal do Brasil confirmou na mesma entrevista para O Globo da saída de Pedro Grossi, diretor-presidente da Docas, holding que administra o jornal, por discordância na decisão de fechar a edição impressa. Porém, Grossi afirma que continuará no jornal enquanto houver a versão em papel: “Quando foi comunicada a transposição do papel para a internet, eu estou fora. Não fui contratado para isso”, declarou.
Na redação o clima é de preocupação entre os 180 funcionários que mantém a edição impressa. A discussão sobre o futuro dos empregados será discutir em reunião entre Tanure e o Sindicato de Jornalistas do Rio de Janeiro.
A Associação Nacional dos Jornais (ANJ) declarou que é lamentável a decisão de fechar o jornal. “Foi um processo de equívocos empresarias que resultaram em decadência editorial”, afirmou Ricardo Pereira, diretor-executivo da ANJ.
Tanure arrendou o JB em 2001. Em 2003, foi a vez do arrendamento da Gazeta Mercantil, que deixou de circular em junho de 2009, em crise e dívida trabalhista superior a R$ 200 milhões.
Marco gráfico
O Jornal do Brasil foi um marco para a evolução do design editorial para jornais no final dos anos 1950, quando levou Amílcar de Castro para realizar uma reforma gráfica (1957-1958). Após isso, Amílcar ainda trabalhou no projeto gráfico para Correio da Manhã, Estado de Minas, Jornal da Tarde e A Província do Pará.
O processo de reformulação ocorreu por apoio do diretor Odylo Costa Filho, que também trouxe uma equipe de jovens jornalistas, que antes trabalhavam no Diário Carioca e na Tribuna da Imprensa. No aspecto gráfico, o JB eliminou os fios, implementou a diagramação vertical e valorizou mais o contragrafismo. Em junho de 1959, o JB trouxe pela primeira vez o espaço em L na capa do jornal, onde eram inseridos os classificados, uma das principais características da identidade do jornal.
O Jornal do Brasil também foi o primeiro jornal brasileiro a adotar o formato berlinense (berliner), com tamanho de 470 x 315 milímetros, seguindo o padrão utilizado pelos jornais europeus. Em seguida, o mesmo formato é adotado por outros jornais como O Dia, O Norte, O Estado do Pará, Diário da Borborema, Diário de Natal e Diário do Amazonas.



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