Este é o último post da série sobre classificação tipográfica. Vamos abordar a presente no livro da educadora norte-americana e curadora de design contemporâneo na Cooper-Hewitt National Design Museum (Nova Iorque) Ellen Lupton. O livro Pensar com Tipos, que ganhou uma versão brasileira traduzida por André Stolarski e editada pela Cosac & Naify, tornou-se uma das referências, junto com o livro de Bringhurst, sobre tipografia.

Pensar com Tipos
Ellen Lupton
Cosac & Naify, 2006

A classificação de Lupton é menos complexa que a adotada por Niemeyer e, pessoalmente, é a mais aceitável. O livro apresenta sete tipos: humanistas, transicionais, modernas, egípicias, sem serifas humanistas, sem serifas transicionais e sem serifas geométricas. Segundo a autora, as fontes humanistas são initimamente conectadas à caligrafia a ao movimento da mão, as transicionais e modernas são mais abstratas e menos orgânicas. Grosseiramente, nas palavras da autora, estes três grupos correspondem respectivamente aos períodos renascentista, barroco e iluminista na arte e literatura. Em séculos seguintes – XX e XXI – os designers acabam criando novos tipos baseados em características históricas.

Hoje encerramos os posts sobre classificação. Nos posts anteriores, abordamos também as classificações de Lucy Niemeyer e de Robert Bringhurst, ambos com suas próprias formas de tipologia.

A Society for News Design, entidade responsável por difundir e premiar o design de notícias no mundo todo, anunciou os diários melhores desenhados do ano de 2009. Esta é a 31ª edição do SND World’s Best Designed, organizado anualmente pela instituição. As melhores publicações escolhidas pelo júri foram:

der Freitag (Berlim, Alemanha)
circulação: 12.400 exemplares

Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung (Alemanha)
circulação: 347 mil exemplares

The New York Times (Nova Iorque, EUA)
circulação: 800 mil exemplares

Segundo avaliação da SND, nesta edição, os jornais apresentaram poucas novidades, mas alguns trouxerem formas diferentes de experimentação. As experiências mais bem sucedidas foram as que retornaram ao formato tradicional do jornal e não procuraram imitar a internet como forma de competir com o meio. Pelo contrário, os melhores jornais fizeram parceria com a web, oferecendo o que ela não pode fornecer. Como é possível observar nos três casos, há uma predominânia de texto e pouca arte (fotografia/ilustração).

Pela avaliação, os jornais fora dos Estados Unidos aparentam estar saudáveis, com quantidade abundante de anúncios e com formatos mais largos. Positivamente, foram detectados o uso inteligente e renovado da ilustração, mesmo no noticiário diário, combinando com a fotografia e “design energético”.

Recomendações da SND:

Este é o tempo para o design pensativo. Seus esforços devem refletir a criatividade destes jornais. Esperamos que estes três trabalhos possam servir como fonte de inspiração. Não fazer exatamente como eles, mas aprender com seus sucessos no geral. Cada um sabe de seus leitores e necessidades. Eles têm um DNA forte – uma identidade que vai além do formato. Uma página interna é tão identificável quanto a capa.

Converse com seus colegas. Fale com seus editores. Não trabalhe sozinho ou sobre a linha de montagem. Você faz parte de uma equipe. Esteja disposto a editar seu design. Ouça e faça revisões razoáveis. Volte para o básico. Seu trabalho é o primeiro a informar. Prêmios são bons, mas as recompensas mais importantes são as que vêm dos leitores. Seja proativo. Apresente ideias para o benefício mútuo. Como sempre, o melhor desenho são os gritos de simplicidade.

O jurado contou com os jornalistas J. Bruce Baumann (do Evansville Courier & Press, Indiana/EUA), Dennis Brack (The Washington Post), Miguel Gomez (Al Nisr Publishing Group, Dubai), Lily Lu (consultora da L5 Communications, co-fundadora e diretora executiva da SND China) e Margaret O’Connor (The New York Times).

Leia mais sobre os três maiores jornais do SND World’s Best Designed

Galeria do Flickr

A revista norte-americana de tecnologia Wired lança sua versão para Apple iPad, antes mesmo do lançamento do dispositivo ao mercado. Outras publicações como o The New York Times também já ajustaram para o leitor digital.
A versão da Wired procurou valorizar o máximo possível de intuitividade com o leitor, permitindo uma fácil navegação e integração entre diversas mídias como texto, fotos, animações e vídeos, além da compatibilidade com as redes sociais, algo já demonstrado em vídeo do Sports Illustrated na sua versão para tablets.
A Wired digital possui suporte para a tecnologia Adobe Air, já que ainda continua a incompatibilidade dos leitores da Apple para o Flash, também da Adobe.

Após o anúncio do The New York Times de que passaria a cobrar pelo acesso às suas notícias a partir de janeiro de 2011, agora é a vez do jornal francês Le Figaro. O site já foi reformulado e está cobrando três pacotes de acesso ao seu conteúdo: 8 euros por mês para acessar a opção “Mon Figaro Select”, 15 euros ao mês pela seção “Mon Figaro Business” e acesso gratuito às notícias em ‘tempo real’.  Os novos pacotes de acesso ao acervo jornalístico do Le Figaro foram lançados na última terça-feira, dia 16/2.

Segundo o jornal, o acesso a tais conteúdos pagos proporcionam ao assinante “recursos para ele ir à frente na compreensão da atualidade e discuti-la. Assim como ter à disposição conteúdos e serviços destinados a facilitar a vida profissional”.

Em outubro do ano passado, o jornal norte-americano Newsday decidiu cobrar pelo coneúdo. Três meses depois, em janeiro de 2010, conseguiram apenas 35 assinantes que propuseram pagar 5 dólares para ter acesso ao jornal.

Desde maio de 2006, a Folha de S.Paulo (fundado em 1921 / circulação média de 300 mil exemplares) trabalha com seu atual projeto gráfico, um redesign assinado pelo escritório García Media, que procurou proporcionar algumas mudanças nas organização das notícias, na tipografia e em novos elementos que permitem um rápido entendimento para o leitor sem tempo que procura pela informação. A internet influenciou fortemente o novo projeto.

O designer Mario García quis estabelecer, de forma publicitária, de que a ideia do projeto da Folha é que “tanto o leitor que tem apenas 5 minutos para ler o jornal quanto o que tem 50 minutos fiquem satisfeitos com a nova Folha”. Esta rapidez/aprofundamento na procura da informação é proporcionada pela adicão das entradas de leitura como o [+] Saiba mais, [+] Entenda, [+] Memória, [+] Análise, [+] Opinião e [+] Outro Lado.

O projeto gráfico também valorizou as fotos (com legendas mais detalhadas e informativas) e os infográficos. Na capa, algumas mudanças mais perceptíveis: o logotipo, que ficou maior e mais simétrico (com destaque para as primeiras letras de cada palavra), a iserção da barra horizontal colorida para destacar o conteúdo dos colunistas, os suplementos e reportagens especiais, e a utilização de cores mais vivas na paleta do jornal.

Capa: antes e depois do redesign

Otavio Frias Filho, diretor de Redação da Folha, na época da implantação do novo projeto, afirmou que “a Folha tem feito reformas gráficas mais ou menos a cada seis anos. Mudar é uma espécie de tradição do jornal. A cada mudança o jornal se renova e se projeta para o futuro. A intenção é surpreender o leitor, sem causar estranhamento”.

Tipografia
A Folha de S.Paulo é um dos raros jornais que se utilizam de fontes desenhadas exclusivamente para sua utilização. A Folha Serif, utilizada no logotipo do jornal e nos títulos das notícias, foi desenhada pelo conceituado tipógrafo alemão Eric Spiekermann e pelo holandês Lucas de Groot, em 1996. Em 2000, houve uma ampliação na família de fontes. Com o redesign, a tipografia dos textos mudou para a Chronicle (Chronicle Display no caderno Ilustrada), da Hoefler & Frere-Jones, e a The Mix, nos destaques e títulos das matérias do caderno de Esportes, também desenhada por Lucas de Groot. O designer se arriscou em escolher três tipos com serifa, mas que acabou deixando um resultado agradável na diagramação. As mudanças também atingiram os 13 suplementos e revistas encartados gratuitamente durante a semana no jornal.

Repensamento do jornal
Segundo Rodrigo Fino, presidente da García Media Latinoamerica e diretor do projeto, a Folha de S.Paulo teve de repensar alguns aspectos para se integrar a tendência atual no mundo da imprensa e que sustentou a filosofia do projeto visual e editorial do jornal:

1. Facilitar a navegação do conteúdo, permitindo o leitor a encontrar a notícia sem pressa, mas sem pausa e de forma ordenada e clara;
2. Acentuar as hierarquias informativas, dando ao leitor a pauta que precisa daquilo que é mais ou menos importante;
3. Alcançar o efeito surpresa através da criatividade, modernidade e inteligência ao apresentar o conteúdo;
4. Valorizar os conteúdos exclusivos de investigação e de análise próprios da identidade do jornal.

Tipos de leitores
Mario García apresentou também o projeto as diferentes formas de relação do leitor com seu jornal. Os perfis de leitores foram levados em conta no projeto gráfico atual:

A. o leitor hard reader: habituado a ler o jornal e a confirmar/aprofundar o que foi informado por meio de outros meios de comunicação;
B. o leitor browser: acostumado a folhear o jornal, muitas vezes por hábito social, mas que a mesmo tempo escanea, tendo uma ideia geral dos temas mais importantes do dia;
C. o leitor turista: que por uma razão ou outra se encontra lendo um jornal, sem ter o hábito da leitura diária com uma visualização por exploratória e sem profundidade.

Sem dúvida, conforme explica García, o projeto procura valorizar os hard readers e os browsers, oferecendo “histórias relevantes, editadas de maneira criativa para quem dispõe de 50 minutos ou de 5″. (páginas publicadas no blog Newspagedesigner.com e enviadas para divulgação).

Outras páginas

Cadernos e suplementos
Cadernos diários:
Folha Brasil, Folha Ciência, Folha Cotidiano, Folha Dinheiro, Folha Esporte, Folha Ilustrada, Folha Mundo, Folha Corrida e Folha Saúde.
Suplementos: Folha Informática (quartas), Folha Equilíbrio (quintas), Folha Turismo (quintas), Folhinha (sábados), Folhateen (segundas), Mais! (domingos), Revista da Folha (domingos), Folha Veículos (domingos), Folha Construção (domingos), Empregos (domingos), Folha Negócios (domingos), Folha Imóveis (domingos), Guia da Folha (sextas), Fovest (terças), Saber (segunda, dentro de Folha Cotidiano), The New York Times International Weekly (segundas) e Folha Vitrine (sábados).

Leia post sobre o case no site da García Media Latinoamerica

Leia especial sobre a mudança gráfica no jornal Folha de S.Paulo

O assunto mereceu destaque na capa do jornal espanhol Público do dia 8 de fevereiro, menção no Caderno de Tipografia 15 e um post no blog valenciano Cuatrotipos. Todos trouxeram destaque para uma série de ícones do sistema Isotype (Internacional System of TYpographic Picture Education), criados nas décadas de 1920 e 1930 pelo designer Gerd Arntz (1900-1988), de inclinação ativista e comprometido com as causas sociais da época.

Os ícones foram inicialmente idealizados pelo filósofo progressista vienense Otto Neurath (1882-1945), que pretendia criar um método para difundir informação de maneira universal, superando qual barreira transposta pelo idioma. Os ícones deveriam ser reconhecidos facilmente por qualquer cultura.

Para o filósofo, para conseguir a emancipação do proletariado, era preciso que todos pudessem ter o conhecimento do mundo ao redor através da linguagem gráfica e do uso intensivo dos mapas e tabelas estatísticas. Com este ideal, Arntz produziu este conjunto de pictogramas de fácil reconhecimento e impressão para promover a ‘democratização’ do conhecimento.

Para a Isotype, transmitir a informação eficazmente, de maneira inteligível para todos, é dar poder ao povo, para que possa ser verdadeiramente livre ao decidir.

Arntz produzindo um dos seus pictogramas para a Isotype

Desde o início da produção dos pictogramas, Gerd Arntz desenhou mais de 4.000 símbolos referindo-se a elementos da indústria, demografia, política e economia. Visite o site oficial onde é possível ver os pictogramas produzidos por Arntz.

A revista digital Ideafixa receberá até o próximo dia 15 de fevereiro os trabalhos de ilustração para a próxima edição. Na edição anterior, foram enviados mais de 700 trabalhos de cerca de 200 artistas. A nova revista, de número 15, terá como temática o assunto “O impossível”. A edição será publicada no formato digital no próximo dia 1°. de março.

Os arquivos podem ser enviados no formato JPG, na dimensão de 1700 x 1140 pixels e na resolução de 72 dpi, para o e-mail revista@ideafixa.com. Mais informações podem ser obtidas através do site www.ideafixa.com/revista

Desde o dia 23 de janeiro que o blog realiza a enquete para saber qual o jornal brasileiro possui o melhor design. A escolha envolve opções sete jornais do Sudeste (Estado de Minas, Extra, Folha de S.Paulo, Jornal da Tarde, O Dia, O Estado de S.Paulo e O Globo), quatro do Nordeste (Correio*, Diário de Pernambuco, O Norte e O Povo), um do Centro-oeste (Correio Braziliense), um do Norte (A Crítica) e um do Sul (Zero Hora).

Até agora, foram 38 votos com o seguinte resultado parcial:

Correio Braziliense (Brasília, DF) – 16%
Folha de S.Paulo (São Paulo, SP) – 16%
Jornal da Tarde (São Paulo, SP) – 16%
Diário de Pernambuco (Recife, PE) – 11%
Zero Hora (Porto Alegre, RS) – 8%
O Estado de S.Paulo (São Paulo) – 8%
O Povo (Fortaleza, CE) – 6%
O Dia (Rio de Janeiro, RJ) – 5%
O Globo (Rio de Janeiro, RJ) – 3%
A Crítica (Manaus, AM) – 3%

Para você que não votou, participe também e deixe sua opinião. A votação vai até o dia 31 de março.

Desde o último dia 20 de janeiro, o jornal popular suiço Blick está trabalhando com um novo aplicativo digital gratuito Kooaba. Com o aplicativo instalado no smartphone (o sistema funciona em iPhone e celulares com a tecnologia Android), o leitor poderá fotografar páginas do jornal, onde existe o logotipo da Kooaba, e obter informações adicionais na web sobre o assunto, como fotos, vídeos ou textos complementares, além de recomendar o artigo no Facebook, por e-mail ou pelo Twitter.

É o primeiro jornal impresso a utilizar o sistema. Algumas revistas alemãs e suíças já experimentam a tecnologia. O mesmo ocorreu na edição de novembro de 2009 da revista Wired. O aplicativo já cadastrou milhares de capas de livros, CDs e DVDs para que o usuário do telefone, ao fotografar a capa, possa localizar imediatamente na internet o produto e comprá-lo através de lojas virtuais como o iTunes e a Amazon.

O jornal Blick foi um dos mais prejudicados pela febre dos diários gratuitos que aparecerem na imprensa suíça. O tablóide 20 Minutos possui praticamente o dobro de exemplares da Blick, que atualmente é de 200 mil. O jornal acabou abandonando o tamanho reduzido do tablóide e voltando a adotar o standard. Também recuperou a antiga fama de publicar diariamente fotos de mulheres seminuas na capa.

O jornal Meio & Mensagem publicou no último dia 1° (edição 1394), na coluna Em Pauta, a última pesquisa do Instituto Verificador de Circulação (IVC), que avalia a circulação dos 20 maiores jornais brasileiros em número médio de exemplares impressos.

Segundo a pesquisa, em 2009, houve uma queda de 6,9% na circulação de jornais em comparação com o ano anterior. Entre os jornais que apresentaram queda, estão os maiores diários de São Paulo e Rio de Janeiro, como O Estado de S.Paulo, a Folha de S.Paulo, O Globo e Extra.

Os melhores desempenhos ficaram para os jornais com linha mais popular, como o Daqui, de Goiânia, e o Expresso da Informação, também do Rio de Janeiro. Segue abaixo uma tabela com os índices apresentados pelo IVC.

Piores desempenhos
O Dia (Rio de Janeiro, RJ) / -31,7%
Meia Hora (Rio de Janeiro, RJ) / -19,8%
Diário de S.Paulo (São Paulo, SP) / -18,6%
Jornal da Tarde (São Paulo, SP) / -17,6%
Extra (Rio de Janeiro, RJ) / -13,7%
O Estado de S.Paulo (São Paulo, SP) / -13,5%
Diário Gaúcho (Porto Alegre, RS) / -12%
O Globo (Rio de Janeiro, RJ) / -8,6%
Folha de S.Paulo (São Paulo, SP) / -5%
Super Notícia (Belo Horizonte, MG) / -4,5%
Estado de Minas (Belo Horizonte, MG) / -2

Melhores desempenhos
Daqui (Goiânia, GO) / 31%
Expresso da Notícia (Rio de Janeiro, RJ) / 15,7%
Lance (Rio de Janeiro, RJ) / 10%
Correio Braziliense (Brasília, DF) / 6,7%
Agora São Paulo (São Paulo, SP) / 4,8%
Zero Hora (Porto Alegre, RS) / 2%

O designer de publicações Mario García lançou em seu blog oficial uma nova série – 40 Years/40 Lessons (40 anos/40 lições) – onde pretende esmiuçar um pouco dos seus 40 anos de experiência como professor, pesquisador e designer de cerca de 560 jornais e revistas de 90 países.

A série, que é um livro de recortes da carreira do designer, deve ser publicada periodicamente no blog até fevereiro de 2011. Entre os trabalhos mais relevantes da empresa de consultoria García Media está o redesign do The Wall Street Journal, da Folha de S.Paulo e La Tribune.

A facilidade como o ser humano tem de se comunicar através das plataformas midiáticas proporcionadas pela cibercultura e relatadas através de obras como Cultura da Convergência (Jenkins, 2009) e Ciber-cultura-remix (Lemos, 2006) é tema de post publicado no blog CampiDigital, pelo pesquisador e jornalista Marcel Ayres. Um vídeo, de novembro de 2009, mostra Jankins falando um pouco mais sobre a narração transmidiática, resultado desta forma de comunicação e transmissão de ideias, e como é possível que este processo cultural possa se manifestar na contemporaneidade.

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