A revista Time realizou um ranking das dez melhores capas de revista de 2009. A maioria se refere a homenagens de ícones culturais, a exemplo do primeiro colocado, a capa da revista New York, onde Bernie Madoff, responsável por endividar diversas empresas norte-americanas num esquema de pirâmide de investimento, foi comparado com o ator Heath Leager, o coringa do filme The Dark Knight.
O ranking também inclui a The New Yorker, The Advocate, Interview e a Vogue Australian. Confira o ranking dos 10 melhores da Time.

Diversos autores são bastante claros quando dizem que o contragrafismo (ou os brancos) é um item essencial na diagramação moderna. Os jornais e revistas têm se utilizado com bastante intelegência estes espaços em branco para destacar informações essenciais da matéria, como legendas, citações, tabelas, ilustrações. Muito mais que isso, o contragrafismo torna a sensação ótica mais agradável e chama mais atenção do leitor para a notícia.

Segundo Mario García (2002, p. 142),

O espaço em branco é importante. Como a pontuação em uma página, ele permite que os pensamentos fluam melhor. Não é verdade que o recurso deve ser utilizado apenas em suplementos ou cadernos especiais; páginas de noticiário também podem se beneficiar de espaços para respirar. Eu incorporo o espaço em branco em todas as páginas dos meus projetos e, em algum nível, o leitor pode apreciar.

O projeto gráfico do Brasil Econonômico utiliza com inteligência os espaços em branco: tanto para destacar citações, quanto para isolar assuntos diferentes

Jesús Canga Larequi (1994, p. 153), após relatar os benefícios do contragrafismo, alerta para o cuidado na utilização deste recursos na diagramação das páginas. Segundo ele,

1. Devido a limitação do espaço nos jornais, os brancos dever ser utilizados com cuidado especial, permitindo uma percepção visual correta, proporcionada por meio dos demais elementos da página. A falta de brancos pode prejudicar visualmente a diagramação, mas também pode haver abuso nos casos de utilização excessiva.
2. Procurar uma utilização uniforme dos espaços em branco sobre toda a superfície da página. O contragrafismo deve ser mantido e agrupado nas zonas onde se quer destacar sobre a diagramação. Para isto, cabe a decisão de se destacar um título, uma fotografia ou separar um bloco informativo de outro.
3. Embora o branco deve ser utilizado nos título, não é conveniente utilizar espaço entre as linhas do título em si, com um espaçamento muito grande para o corpo utilizado. É interessante utilizar o espaço entre os demais elementos, como o título, antetítulo e subtítulo.
4. O branco deve agrupar todos os elementos que constituem o bloco de informações (texto, títulos e fotos) pelo espaço fora do conjunto. Não deixe nunca mais espaço entre um bloco de um mesmo elemento.

O espaço utilizado na abertura do caderno de saúde do jornal O Povo arejou a página e destacou a ilustração

Retornando às considerações de García (2002, p. 142), o espaço em branco poderá ser utilizado:

* entre as linhas de títulos ou índices
* entre fotografias e legendas
* entre subtítulos eo texto que os segue
* entre os elementos gráficos e arredores
* ao redor dos boxes ou foto-legendas
* diretamente sob o título da página (duas linhas de espaço em branco é recomendado)
* entre o espaço publicitário e espaço editorial

Pelas recomendações aqui já citadas, temos em consideração que o equilíbrio da utilização do contragrafismo nada mais é que uma lição da percepção da gestalt, onde a visão humana permite agrupar elementos próximos e isolar com os demais mais afastados. É uma conclusão simples, mas que precisa de uma maior habilidade por parte do diagramador. Algo que se deve conquistar com a experiência e com o aprendizado dos principais conceitos dos estudos da percepção.

O blog Papel Jornal inicia a partir de hoje a pergunta Qual o jornal brasileiro com melhor design? A enquete de múltipla escolha tem como opções sete jornais do Sudeste (Estado de Minas, Extra, Folha de S.Paulo, Jornal da Tarde, O Dia, O Estado de S.PauloO Globo), quatro do Nordeste (Correio*, Diário de Pernambuco, O Norte e O Povo), um do Centro-oeste (Correio Braziliense), um do Norte (A Crítica) e um do Sul (Zero Hora).

A escolha dos títulos tomou como base jornais premiados pela Society for News Design e avaliações de blogs de designers que trabalham com o assunto design de jornais. Procurou-se aqui escolher ao menos um representante de cada região. A enquete será encerrada no dia 31/03/2010.

Novo site agora hospedado na SND.org

Durante algum tempo, lamentava em saber que a maior comunidade de designers de notícias tinha saído do ar. Pelo newspagedesigner.com era possível ver portifólios de diversos designers de jornais e revistas de todo o mundo. Até o ano passado, o periódico Sun Journal, que hospedava o site em seu servidor, decidiu desativar. Uma lástima para muitos que admiram o assunto.

Aviso do endereço antigo da época que o site saiu do ar

Recentemente, descobri que o NPD, criado por Tim Frank e Eric Kaiser, havia retornado, agora através da comunidade social do Ning utilizando o servidor da Society for News Design (SND). É verdade que não temos mais todos aqueles portifólios disponíveis no site anterior, mas as poucos as pessoas vão colocando seus trabalhos e criando suas páginas pessoais no Ning. Espero que possa ter novamente a mesma quantidade de trabalhos disponíveis e ver a criatividade dos designers de jornais de todas as parte do mundo. Visite o novo site.

Prosseguindo a série sobre as mais variadas classificações tipográficas existentes, vamos agora abordar a existente no livro da designer e professora da ESDI-UERJ, Lucy Niemeyer. Seu livro Tipografia: uma apresentação tornou-se uma espécie de manual, abordando de uma forma clara e bastante resumida sobre o universo da tipografia.

Tipografia: uma apresentação
Lucy Niemeyer
Editora 2AB, 2006

A classificação adotada no livro, baseia-se na mesma adotada pela Association Typoghaphique Internationale (ATypI), conhecida também pela classificação Vox/AtypI. Estas nomeclaturas, por sua vez, originam-se em classificação criada originalmente por Maximilien Vox, em 1954. Ao contratário de Bringhust, que classifica os tipos pelo período de criação, a Vox/ATypI se basea mais nas características do desenho. Niemeyer (2006, p. 50) nos apresenta 7 grandes grupos, relacionados a seguir:

Niemeyer (2006, p. 66) ainda faz um complemento lembrando a classificação de Vox e de outras classificações:

Há outros sistemas de classificação de tipos. A classificação original de Maximilien Vox, que originou a da AtypI, é composta por dez grupos: três clássicos (humanísticos, garaldinos e transicionais) e três modernos (didones e mecanizados, com serifa, e lineares, sem serifa), além dos grupos manuscritos, caligráficos, incisos e góticos.

O Deutsches Institut für Normung (DIN) duvide as famílias em 11 categorias. Segundo a norma de número 16.518 do instituto, são eleas: venezianos romano-renascentistas, franceses romano-renascentistas, barrocos-romanos, romano clássico, romano linear com serifa em ponta (dividindo, de acordo com a forma das serifas, nos subgrupos egipciano, clarendon e italiano), romano libear sem serifa, variantes do romano, script, romano manuscrito, tipos quebrados (dividido em cinco subgrupos: góticos, góticos redondos ou rotundos, bastardos, fraktur e variantes de fraktur) e tipos não latinos.

A classificação Europa, por sua vez, tem como referência a sistematização do inglês Cristopher Perfect. Ela apresenta as seguintes categorias: humanistas (ou venezianos), estilo antigo (old style), transicionais, modernos, serifas retas (slab serif), sem serifa e display.

Realmente os estudos sobre tipologia vão além da complexidade e dificilmente chegarão ao consenso sobre a classificação. São tantos estudos e muitos vão caindo em desuso como a de Thibaudeau, no Brasil, que classifica os tipos nos grupos romanos, egípcios, gótico, manuscrito e fantasia. Atualmente, esta classificação é considerada ultrapassada.

No próximo post sobre o assunto, irei abordar a classificação publicada no livro Pensar com tipos, de Ellen Lupton.

O blog Faz Caber, da equipe de arte da Revista Época, publicou post com as 10 melhores aberturas de matérias de capa, segundo votação entre os designers, no ano de 2009. Algumas a gente coloca aqui e se quiser escolher a melhor, é possível comentar através do blog.

A fundição de tipos digitais Hoefler & Frere Jones (H&FJ) liberou hoje para venda a tipografia Vitesse, utilizada pela revista Wired desde seu primeiro redesenho, ocorrido em 2007. Trata-se de uma versão serifada da tipografia Exchange, também usada pelo The Wall Street Journal.

A família Vitesse foi desenhada com 12 tipos, desde sua versão Thin (fina) até a Black (mais pesada), tanto para regular quanto para a itálica. Também suporta cerca de 100 idiomas, incluindo os de países do Leste Europeu (mas não a cirílica, como o russo).

A H&FJ é uma das conceituadas fundições de tipos com outros produtos também admirados pelos designers e aplicada em diversos projetos editoriais, tais como a Gotham, a Sentinel e a Mercury.

García Media Latinoamérica está preparando um novo site. Enquanto não entra no ar, Rodrigo Fino, presidente da empresa (sediada em Buenos Aires), nos brinda com um novo blog sobre design editorial e digital, agora em Web 2.0, possibilitando a integração com ferramentas de redes sociais como Facebook e o microblog Twitter. Para ler os primeiros posts e comentar, basta visitar o novo blog.

Pela própria complexidade científica e pela característica artística, a tipografia é uma das áreas do design mais interessantes. Em projetos gráficos voltados para o editorial, tais como catálogos, revistas, jornais, livros, a tipografia constitui como elemento fundamental. Atualmente, existem muitos sistemas de classificação tipográfica em uso. Estas classificações são difundidas de autor para autor e quase nunca se chega a um consenso em suas nomeclaturas. Talvez pela razão da ciência tipográfica – e aqui não a artística – seja ainda muito recente. Quero através deste post apresentar alguns classificações que podemos encontrar em alguns livros disponíveis no Brasil.

Elementos do estilo tipográfico
Robert Brighurst, trad. André Stolaski
Cosac Naify, 2005

Esta é uma classificação interessante. Brighurst procura valorizar o desenvolvimento da tipografia através dos tempos e do avanço tecnológico. Para o autor, os diversos sistemas de classificação tipográfica deixam muito a desejar, pois são limitados aos determinar principais características e que não funcionam nem pra valorizar a tipografia como ciência e nem como arte. Para o Bringhurst (2005, p. 135):

Descrições e classificacões tipográficas rigorosamente científicas são certamente possíveis, e pesquisas importantes vêm sendo feitas nesse campo há vários anos. Assim como o estudo científico de plantas e animais, a ciência ainda jovem da tipologia tipográfica envolve medição precisa, análise minuciosa e o uso cuidadoso de termos técnicos descritivos.

Obedecendo a uma sinopse histórica, Bringhurst classifica desta maneira:

tipografia

No próximo post, as classificações de Lucy Niemeyer, em seu Tipografia: uma apresentação.

Nunca se falou tanto em novos dispositivos móveis para leitura. Muitas empresas têm investido recentemente nestas engenhocas, a exemplo do Kindle (da Amazon), o Sony Reader e a Apple com seu iTablet. Na realidade, trata-se de um retorno ao futuro.

O jornalista e professor Ramón Sallaverría exibe em seu blog um vídeo de 1994, mostrando o protótipo de um leitor digital denominado Tablet Newspaper, criado por Roger Fidler. Isto há quinze anos atrás, veja o vídeo.

Em vídeo produzido pelo jornal “O Estado de S.Paulo” em 1935 é possível ver como funcionava a rotina de jornalistas e gráficos na produção diária do periódico. O minidocumentário de 8 minutos consegue fazer um resgate histórico das rotinas jornalísticas no Brasil na década de 1930, onde não havia computadores nas redações, apenas máquinas de escrever e diversos linotipos para composição das páginas. Confira vídeo abaixo:

@microentrevista, canal do Twitter do jornal O Povo (CE), conversou com o jornalista e consultor de empresas de comunicação Eduardo Tessler, um dos representantes da Innovation Media Consulting. O principal assunto abordado foi o design de notícias. Confira:


1. Toda tendência, no design ou em qualquer moda da comunicação da hora, não termina sendo autoritário?
O design é um Norte, é interpretação de um conceito editorial. Por isso não é autoritário, mas uma garantia de qualidade.

2. O que você define como o design ideal?
Ideal é facilitar o entendimento do tema. Passar uma ideia com no menor espaço. A regra é não ter regras, só caminhos.

3. O design gráfico dos jornais e sites não estão homegeneizados demais? Há uma mesmice visual?
Ideal é facilitar o entendimento do tema. Passar uma ideia com no menor espaço. A regra é não ter regras, só caminhos.

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