Em tempos atuais, o designer está bombardeado por uma série de ferramentas e tipografias digitais disponíveis para seu trabalho. No design editorial, quando se há necessidade de execução de um projeto especial, como para jornais e revistas de grande porte, é necessário também pensar na escolha de elementos que possam dar um resultado satisfatório para o produto final.
Raciocinando desta maneira, este bombardeio de tipografias se resume a alguns dezenas de opções. Dezenas, porque estou falando de tipos específicos para o design de jornais e revistas, onde o que está em jogo é um projeto que exiga melhor legibilidade para o leitor que precisa lidar com grandes massas textuais e de tipos que possam ser aplicados em infografias e diversas peças independentes que façam parte do elemento noticioso.
Para demonstrar algumas destas fontes, fiz um rápido levantamento em diversos projetos gráficos de jornais e revistas no mundo para analisar quais tipos estão sendo mais utilizados atualmente. Segue abaixo a relação:

Amplitude. Desenvolvida pelo designer Christian Schwartz, em 2003, para a Font Bureau, trata-se de uma família de 35 tipos de diversos pesos e espessuras. Trata-se de uma tipografia sem serifa, caracterizada pelos cortes profundos nas junções para manter legibilidade até mesmo em tamanhos pequenos. A Amplitude é recomendada tanto para jornais, revistas e livros, quanto para uso corporativo. Jornais: A Tribuna (Santos, Brasil), O Povo (Fortaleza, Brasil) e Avui (Barcelona, Espanha).

Antenna. Fontes criadas pelo designer Cyrus Highsmith para a Font Bureau, em 1997. Trata-se de uma família que traz ao mesmo tempo calma e excitação, deliberação e mobilidade. A família possui 56 estilos diferentes, com 7 pesos e 4 espessuras. Jornais: O Estado de S.Paulo (São Paulo, Brasil) e Diário de Sevilla (Sevilha, Espanha).

Benton. Benton surgiu a partir do estudo do desenho da News Gothic (criada em 1903 por Morris Fuller, para a ATF). Tobias Frere-Jones, em parceria com Cyrus Highsmith, proporam em 1995 sua reformulação e expandiram a Benton para outros limites como nas versões Sans e Modern, este útimo, serifado, para ser utilizado inicialmente para os textos do jornal The Boston Globe (1997). Jornais: Panamá América (Cidade do Panamá, Panamá) e La Stampa (Turin, Itália)

Charter. Criada originalmente em 1987, por Matthew Carter para a Bitstream, a Charter apresenta três características importantes: letras compactar para garantir economia de espaço, generosa altura-x para maior legibilidade e possibilidade de boa impressão tanto em impressão offset quanto em impressora a laser. Recebeu uma nova versão denominada de Charter BT Pro, em 2004. Jornais: Diário do Nordeste (Fortaleza, Brasil), Crónica (Assunção, Paraguai) e La Gazzetta dello Sport (Milão, Itália).

Cellini. Desenvolvida em 2003 pelo designer Albert Boton (1932-), para a FontFont. Boton passou por vários escritórios de design, inclusive trabalhando com Adrian Frutiger e contribuindo para desenvolver tipos para a família Univers. Aposentou-se em 1997, mas nunca terminou de desenhar tipos. Jornais: O Tempo (Belo Horizonte, Brasil) e Público (Madri, Espanha).

Chronicle. Baseada nos tipos desenvolvidos na Escócia no século XIX, a Chronicle foi desenvolvida em 2002 pela Hoefler & Frere-Jones, especificamente para ser utilizada em jornais, por conta da sua boa legibilidade em pequenos tamanhos e economia de espaço. Também possui um leque amplo de caracteres especiais e para diversos idiomas, inclusive do Leste Europeu. Está nas versões Text, Display e Deck.

Farnham. Tipografia desenhada por Christian Schwartz, em 2004, para a Font Bureau, inspirada nos tipos criados pelo alemão Johann Fleischman, contemporâneo de Baskerville e Fournier. Fleischman trabalhou na fundição de Enschede, em Haarlem, e conseguiu trazer à sua tipografia sinônimo de qualidade, por conta dos detalhes da fundição do aço, com serifas de exuberante angularidade. Jornais: La Crónica de León (León, Espanha).

Glypha. A Glypha foi criada em 1977 por Adrian Frutiger, para a Linotype. A variedade de tipos faz com que a Glypha funcione bem tanto para títulos quanto para textos menores. Trata-se de um tipo altamente legível e o formato mais condensado torna último para ser utilizado em revistas e outros projetos com restrição de espaço. Jornais: A Crítica (Manaus, Brasil)

Interstate. Mais um tipo da FontFont, criado por Tobias Frere-Jones entre 1993 e 1994. É considerada como referência de legibilidade. Foi desenhada especificamente para ser utilizada na sinalização de rodovias norte-americanas, adquirindo rapidez de identificação de informação para quem dirige nas estradas dos EUA. Jornais: Jornal da Tarde (São Paulo, Brasil)

Mercury. Desenvolvida nas versões Display e Text, a Mercury foi projetada pela Hoefler & Frere-Jones para a revista Esquire, em 1996. Antes desenvolvida apenas para os títulos da revista, tornou-se parte indispensável na identificação visual da publicação. Foi inspirada nos tipos históricos do alemão Johann Michael Fleischer (1701-1768). Jornais: El Universo (Guayaquil, Equador)

Miller. Trata-se de uma família de estilo escocês, desenhada por Matthew Carter em 1997 para a Font Bureau. Os tipos foram inspirados por fontes usadas amplamente nos Estados Unidos no século XIX. As versões em itálica e versalete seguem fielmente os tipos originais; os designers Tobias Frere-Jones e Cyrus Highsmith aperfeiçoaram o desenho dos caracteres.

Poynter. A Poynter, classificada em dois estilos – Old Style e Gothic -, foi uma das soluções criadas por Tobias Frere-Jones, em 1997, para reduzir os custos dos jornais e revistas, que passaram por uma crise mundial, e manter as edições sem perder leitores. Cada tipo foi inspirado no exemplo de legibilidade do desenho original de Hendrik van den Keere. Jornais: O Povo (Fortaleza, Brasil) e Il Sole 24 Ore (Milão, Itália)

Utopia. Criada em 1992 por Robert Slimbach, para a Adobe. Foi criada originalmente para resolver problemas de tipografia em correspondências oficiais. Sua vasta versatilidade permitiu que a Utopia pudesse ser aplicada ao design editorial, com diversos pessos que podem ser aplicados em títulos, textos e destaques. Jornal: Correio Braziliense (Brasília, Brasil) e El Nacional (Caracas, Venezuela).

Whitney. A Whitney foi desenvolvida originalmente para o Museu Whitney de Nova Iorque, pela Hoefler & Frere-Jones. Atualmente ela está sendo utilizada para atender duas demandas: design editorial e de sinalização pública. A inspiração para produção da tipografia veio da News Gothic (1908) e de tipografias humanistas europeias, como a Frutiger (1975). Em 2010, recebeu novidades pela H&FJ como suporte a caracteres gregos, cirílicos e multiscript. Possui versão condensada. Jornal: Clarín (Buenos Aires, Argentina)

Zine. A família Zine foi criado pelo designer alemão Ole Schäfer, formado pela Fachhochschule Bielefield. Entre 1995 e 1999, Schäfer trabalhou na Meta Design como designer de tipos para Audi, Volkswagen e para o Aeroporto de Düsseldorf. Desde 1999, ele trabalha como designer freelancer em Berlim. Criada em 2001, a Zine possui versões Sans, Serif e Slab. Jornal: De Pers (Amsterdã, Holanda) e La Gazetta dello Sport (Milão, Itália)